Castelo de Paiva

Raiva, Folgoso

 

O Couto Mineiro do Pejão é um território com casas, aldeias e territórios de natureza agrícola, mineira, industrial e comercial. A Empresa Carbonífera do Douro – ECD, que administrava aquele couto, conferiu aos lugares e espaços de habitabilidade, sociabilidade e trabalho uma imagem uniformizada por uma arquitetura muito própria do edificado, conferindo unidade ao território mineiro e sentimento de pertença ao couto. Pontuou-o também com edifícios sociais e construiu habitação mineira de carácter social.

 

Com efeito, dando relevo à resolução do problema habitacional num contexto de crescimento demográfico do couto mineiro, a ECD empreendeu uma política de construção habitacional orientada para a construção de dormitórios e para a construção de bairros mineiros, entre eles o Bairro de Santa Bárbara, construído entre Folgoso e Fojo, em 1952. Nestes bairros foi assumida uma reprodução/manutenção do comunitarismo agrário: cada bairro tinha o seu forno comunitário para confeção do pão e um lavadouro comunitário, apoiado por uma fonte.

 

Tem-se verificado que o abandono das minas, para além dos problemas ambientais que levanta, representa também uma profunda ferida social e cultural, pois os lugares que se tornaram inúteis após o encerramento da mina continuam a conferir um sentimento de pertença dos mineiros envolvidos na exploração do carvão. Torna-se assim urgente zelar pelas pessoas e pelo património das comunidades mineiras abandonadas. É um passado que, enquanto memória, se pode esvair, porque pertence aos mais velhos, se não houver uma apropriação constante dos espaços por todos aqueles que sentem um apego aos valores mineiros e industriais como fator de desenvolvimento.