Aldear

O Aldear é um encontro. 
 

Aldear é um projeto cultural que ativa as comunidades de 11 aldeias e bairros dos municípios da região do Douro, Tâmega e Sousa. Um encontro entre as identidades locais e os métodos de 15 estruturas de criação artística contemporânea oriundas de várias partes do país.
 

Aldear é um projeto artístico multidisciplinar, de escala humana, centrado nas pessoas e na procura de um tempo diferente. É um encontro de processos que dará origem a 11 partilhas públicas a partir de percursos artísticos, espetáculos comunitários, instalações e conversas. 
 

Congregar, povoar, estabelecer, reunir e usufruir são sinónimos de Aldear, a designação proposta para o projeto, que pretende capacitar, valorizar competências e a identidade local, empoderar as comunidades, contribuindo para o sentido de pertença das populações envolvidas. 
 

É um encontro com o tempo. Um encontro com escuta, silêncios e poesia.

É um encontro com a memória. Um encontro com saberes, sabores e rugas.

É um encontro com a estética. Um encontro com pedras, patines, cicatrizes e texturas. 

É um encontro com o futuro. Um encontro com caminhos, percursos e rastros.


 

Congregar, povoar, estabelecer, reunir e usufruir são sinónimos de Aldear, a designação adotada para o projeto intermunicipal a desenvolver no âmbito da operação Cultura para Todos – Tâmega e Sousa, que pretende capacitar, valorizar as competências e a identidade local, e empoderar as comunidades, contribuindo para o sentido de pertença das populações envolvidas. Mais do que desenvolver processos artísticos com a população ou ativar um dia de encontro comunitário, o Aldear pretende agitar e dinamizar os públicos-alvo e, de uma forma geral, toda a comunidade dos locais envolvidos, potenciando a materialização de um projeto com contexto comum aos 11 municípios, que possibilite a valorização da identidade intermunicipal e a coesão territorial.

 

Numa primeira camada, o Aldear encara a desertificação e o envelhecimento das comunidades mais rurais, procurando combater o isolamento dessas populações. No entanto, a diversidade territorial comporta dinâmicas e desafios adicionais. A ausência de sentimento de pertença, por parte das gerações mais jovens, baixa a sua conexão com o território e, por consequência, aumenta os fluxos migratórios. Estes desafios contemporâneos rompem com as naturais cadeias de contacto e apoio, transformando alguns territórios em meros dormitórios, que importa transformar, combatendo o abandono de áreas rurais e o “sedentarismo cívico” das várias gerações nos territórios urbanos, onde a construção desorganizada e despersonalizada de bairros, tem criado grandes dormitórios, que provocam o sedentarismo dos idosos e a “guetização” dos jovens.

 

É neste contexto de diversidade territorial, embora enfrentando os mesmos desafios neste domínio que se propõe a contextualização da operação num projeto de designação única, modelo operacional e de comunicação integrado, com vista a uma maior visibilidade e impacto das ações, com melhores resultados em termos de valorização pessoal e das comunidades como um todo. Verificando que a paisagem imagética do território, nas suas diferentes dimensões, se revela um contexto aglutinador forte e eficaz, considera-se a paisagem humanizada como o fio condutor da visão identitária e de desenho do projeto, acrescentando a dimensão humana ao património natural e arquitetónico da região.

 

Assim, o Aldear propõe um projeto artístico integrado, uniforme na sua estrutura, dimensão e impacto em todos os municípios participantes, que se caracteriza pelo envolvimento de três equipas artísticas em cada local de atuação, dinamizando diferentes públicos-alvo e grupos dessa comunidade, com vista ao desenvolvimento de competências sociais e humanas a partir do trabalho artístico, perspetivando um dia de encontro comunitário, aberto ao público, capaz de valorizar o trabalho dos intervenientes e dinamizar o envolvimento amplo da comunidade do local de intervenção.

 

Em resposta aos desafios sociais atuais, importa, ainda, encarar a inclusão nas suas diversas dimensões. Para além das barreiras físicas, existem outras barreiras sociais e culturais que inibem a criação de espaço público. O Aldear pretende voltar a criar hábitos de ocupação da rua, recriando os “naturais encontros”. A existência de espaço público vivido e partilhado é essencial para a criação de redes e de sociedades mais inclusivas. Por outro lado, cultura é umas das “ferramentas” mais eficazes para esbater o isolamento, provocando desafios e encontros baseados em processos de inclusão e não “meramente” assistencialistas. O envolvimento de agentes artísticos especializados no trabalho com a comunidade irá contribuir para a criação efetiva de redes robustas de valorização dos indivíduos em comunidade.

 

O Aldear propõe-se responder de forma transversal a todos os objetivos que regem a operação Cultura para Todos – Tâmega e Sousa. Além dos essenciais processos continuados de trabalho artístico e de mediação com a comunidade, o Aldear aposta num output final que se materializa num dia de encontro comunitário, aberto ao público em geral, com foco na valorização do trabalho desenvolvido. A integração processual justifica a dimensão territorial e a capacidade de unificação identitária, com vista à promoção da coesão territorial intermunicipal.